BOLSONARO E DORIA TROCAM ACUSAÇÕES EM REUNIÃO SOBRE CORONAVÍRUS

Reprodução/YouTube/Instagram/Veja SP

No primeiro embate direto desde a chegada ao Brasil da pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB-SP) trocaram acusações duras sobre a condução da crise sanitária.

O presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), trocaram acusações na manhã desta quarta-feira (25) durante uma videoconferência com governadores do Sudeste para discutir as ações para combater o novo coronavírus — a capital paulista já registra 40 mortes causadas pelo Covid-19. Bolsonaro tem realizado reuniões à distância com governadores das cinco regiões do país. Na segunda-feira (23), falou com mandatários do Norte e Nordeste. No dia seguinte, com os do Sul e Centro Oeste.

Na reunião desta quarta-feira, Doria disse que Bolsonaro deveria dar o exemplo de líder durante a crise e lamentou o pronunciamento feito em cadeia nacional na noite de terça-feira (24), onde o presidente criticou medidas de isolamento para evitar o avanço do coronavírus, indicação contrária ao que determina a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o próprio Ministério da Saúde.

“Na condição de cidadão, de brasileiro, e também de governador, início lamentando os termos do seu pronunciamento à nação. O senhor como presidente da República tem que dar o exemplo. Tem que ser mandatário para comandar, para dirigir, liderar o país, e não para dividir”, disse o governador na videoconferência.

Bolsonaro rebateu o governador. Disse que Doria “apoderou-se” do seu nome para se eleger governador e que depois “virou as costas”, passando a atacar o governo federal. “Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente da República. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal, que fez completamente diferente o que outros fizeram no passado. Vossa excelência não é exemplo para ninguém”, disparou o presidente.

“Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente do Brasil. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal”, disse o presidente ao tucano. ”Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque”, afirmou Bolsonaro.

Em outro momento da conversa, Doria disse que manteve divisas do estado, estradas e aeroportos abertos, bem como fábricas, que sem as orientações sanitárias determinadas pelo Ministério da Saúde e a OMS. “Nós estamos preocupados com a vida de brasileiros dos nossos estados, preservando também empregos e o mínimo necessário para que a economia possa se manter ativa”, declarou.

Assista:

No Twitter, João Doria lamentou a postura de Jair Bolsonaro: “Decepcionante a postura do presidente Jair Bolsonaro na reunião que tivemos há pouco com governadores do Sudeste para tratar sobre o combate ao coronavírus. Levamos as solicitações do Governo de São Paulo e nosso posicionamento sobre a forma como a crise deve ser enfrentada”.

“Recebi como resposta um ataque descontrolado do Presidente. Ao invés de discutir medidas para salvar vidas, preferiu falar sobre política e eleições. Lamentável e preocupante. Mais do que nunca precisamos de união, serenidade e equilíbrio para proteger vidas e preservar empregos”, continuou Doria na plataforma social. “Presidente, no nosso Estado temos 40 mortos por COVID-19 dos 46 em todo o Brasil. São pessoas que tinham RG, CPF, e familiares que continuarão sentindo sua falta. Não são mortos de mentirinha, presidente. E essa não é apenas uma ‘gripezinha’”, finalizou.

A altercação ocorreu depois de uma consideração final de Doria ao fim do encontro. “Peço que o senhor tenha serenidade, calma e equilíbrio. Mais do que nunca, o sr. precisa comandar o país”.

A intervenção do tucano foi calculadamente pausada, sem alteração no tom de voz, dentro da tática de diferenciação entre ele e o presidente na condução da crise. Já Bolsonaro respondeu aos berros.

“Não aceito em hipótese nenhuma essas palavras levianas, como se vossa excelência fosse o responsável por tudo o que acontece de bom no Brasil”, disse Bolsonaro, ladeado pelos ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Paulo Guedes (Economia).

Com informações do Veja SP e da Folha de São Paulo

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