COM MAIS DE 12 MILHÕES DE CASOS DE CORONAVÍRUS, EUA APROVAM TRATAMENTO EXPERIMENTAL USADO POR TRUMP

Em meio a uma nova escalada das contaminações por coronavírus em seu território, os EUA concederam no sábado autorização de emergência para o tratamento experimental com anticorpos dado ao presidente Donald Trump no mês passado, quando ele desenvolveu o Covid-19.

O medicamento, fabricado pela farmacêutica Regeneron, é projetado para evitar que pessoas infectadas desenvolvam doenças graves. Em vez de esperar que o corpo desenvolva sua própria resposta imune protetora, a droga imita as defesas naturais do corpo. É a segunda droga desse tipo — chamada de anticorpo monoclonal — a ser liberada para o tratamento de Covid-19. A Agência de Medicamentos dos EUA (FDA) autorizou o medicamento da Eli Lilly em 9 de novembro.

Os EUA são de longe o país com o maior número de óbitos por coronavírus no mundo, com 255.800 mortes. A epidemia está fora de controle e o número de novos casos diários está disparando (quase 164 mil só no sábado) e já ultrapassa 12 milhões de infecções, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

De acordo com o FDA, o tratamento com REGEN-COV2, um coquetel de dois anticorpos monoclonais produzidos em laboratório, demonstrou reduzir hospitalizações e atendimentos emergenciais de pacientes com Covid-19, doenças secundárias ou “comorbidades”. A agência disse ainda que o medicamento pode ser eficaz no tratamento de Covid-19 leve a moderado em adultos e crianças com 12 anos ou mais, e é indicado para pessoas com alto risco de desenvolver doenças graves.

— O licenciamento dessas terapias de anticorpos monoclonais pode ajudar os pacientes ambulatoriais a evitar a hospitalização e aliviar o fardo em nosso sistema de saúde — disse Stephen Hahn, comissário da FDA.

Entretanto, como acontece com o tratamento da Lily, a produção do Regeneron é complicada e demorada, por isso o medicamento estará em falta inicialmente, segundo o Washington Post. Além disso, as complexidades da administração da medicação intravenosa levantaram preocupação se as pessoas com maior necessidade serão capazes de obtê-la, acrescentou o jornal americano.

Executivos da Regeneron disseram na teleconferência de resultados da empresa no início de novembro que projetam doses suficientes para 80 mil pacientes até o final de novembro e 300 mil doses totais até o final de janeiro, informou o Post.

‘Terapia promissora’

O presidente da Regeneron, Leonard Schleifer, acrescentou que essa decisão representa “um passo importante na luta contra a Covid-19, pois os pacientes de alto risco nos Estados Unidos terão acesso a uma terapia promissora em um estágio inicial da infecção.”

Esses anticorpos imitam o que o sistema imunológico faz após contrair o coronavírus, bloqueando a ponta do vírus que permite que ele adira e penetre nas células humanas.

Este tratamento é mais eficaz durante a fase inicial de contágio, quando os anticorpos ainda têm a possibilidade de controlar o invasor, e não durante a segunda fase da Covid-19, quando o perigo não é mais o vírus, mas a reação exagerada do sistema imunológico que ataca os pulmões e outros órgãos.

A Regeneron recebeu mais de 450 milhões de dólares do governo americano para o desenvolvimento de tratamentos de combate à Covid-19 dentro da Operação Warp Speed (Velocidade da Dobra), criada por Trump para imunizar a população americana.

A Casa Branca também anunciou no final de outubro a compra de 300 mil doses do tratamento da Lilly por US$ 375 milhões, a US$ 1.250 por dose.

A autorização concedida ao Regeneron é a última novidade promissora na luta contra o coronavírus, depois que os projetos de vacinas Pfizer/BioNTech e Moderna anunciaram eficiências próximas a 95%.

O Globo

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