SUSPEITO DE ORGANIZAR SHOW DO BELO DIZ QUE EVENTO PRECISA DE OK DO TRÁFICO

Foto: AgNews.

O homem apontado como um dos organizadores do show do Belo, no pátio de uma escola no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, na madrugada do dia 13, alegou em depoimento à polícia que foi contratado por um dos DJs que tocaria no evento e que é apenas um prestador de serviço, sem nenhum vínculo com o pagodeiro.

Célio Caetano confirmou ainda que nenhum evento acontece na favela sem consentimento do tráfico de drogas da região. As informações foram publicadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo UOL através da defesa do acusado. O advogado Walter Marcelino de Araújo Neto disse que o cliente recebeu R$ 5,5 mil de um dos DJs para fornecer e montar o equipamento de som no local e negou que ele seja um dos organizadores do show.

“A contratação do Belo foi feita pela Leleco Produções. Meu cliente é um prestador de serviço e não tem nenhum vínculo com o cantor, tanto é que os R$ 65 mil [valor do show] foram pagos à Belo’s Music [empresa do cantor], nem passou pelo Célio que recebeu os R$ 5.500 direto de um dos DJs”, disse o advogado à reportagem.

O defensor confirmou ainda que Célio não teve nenhum contrato com traficantes nem viu homens armados no local do evento. De acordo ainda com o depoimento de Célio à polícia, o cantor Belo tem uma equipe particular contratada pelo artista, o que mostra a ausência de vínculo entre as partes.

Célio Caetano, o cantor Belo e Joaquim Henrique Marques Oliveira, outro acusado de organizar o evento, ficaram presos por pouco mais de 24 horas e foram liberados da prisão após conseguirem um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio. O traficante, Jorge Luiz Moura Barbosa, que controla o tráfico de drogas na região, também tem a participação apurada na contratação do evento. Ele é considerado foragido desde 2006.

Todos são investigados pelos crimes de infração de medida sanitária preventiva, crime de epidemia, invasão de prédio público e organização criminosa. Procurado, o advogado do cantor Belo, Jefferson de Carvalho Gomes, informou que não conhece nenhum dos personagens mencionados no depoimento de Célio Caetano, “sendo impossível afirmar sobre qualquer eventual autorização de qualquer chefe do tráfico local, uma vez que a contratação do show se deu entre uma empresa com CNPJ ativo e a empresa que gerencia a sua carreira musical”.

Segundo o advogado, só coube ao cantor se dirigir ao local, previamente ajustado em contrato de prestação de serviços, subir ao palco e cantar, como sempre fez.

Fonte: O Globo, via UOL

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