GESTANTES E PUÉRPERAS QUE RECEBERAM A VACINA DA ASTRAZENECA DEVEM ESPERAR 45 DIAS APÓS O PARTO PARA A SEGUNDA DOSE

Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

O Ministério da Saúde orientou que grávidas e puérperas (mulheres até 45 dias pós-parto) que já tomaram a primeira dose da vacina de Oxford/Astrazeneca completem o esquema vacinal com o mesmo imunizante. No entanto, conforme nota técnica publicada nesta quarta-feira, a segunda dose deve ser aplicada após o fim do puerpério.

A decisão vale para gestantes com ou sem doença prévia que já tomaram essa vacina, batizada de Covishield e produzida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo a pasta, o total ultrapassa 15 mil mulheres em todo o país.

“Frente a ocorrência de um evento adverso grave pós-vacinação em uma gestante vacinada com a vacina AstraZeneca/Oxford/Fiocruz com possível associação causal com a vacina e em atendimento a uma solicitação da Anvisa, o Programa Nacional de Imunizações orienta a interrupção do uso da vacina COVID-19 AstraZeneca/Oxford/Fiocruz em e puérperas”, diz o documento, assinado pela coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato, e pelo diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, Laurício Cruz.

Para as que já receberam a primeira dose desse imunizante, a recomendação é que procurem uma unidade de saúde caso tenham alguma reação adversa entre 4 e 28 dias após receber a dose. Entre os sintomas, estão falta de ar, dor no peito, inchaço na perna, dor abdominal persistente, dor de cabeça persistente e pequenas manchas avermelhadas na pele ao redor do local de aplicação.

O ministério interrompeu temporariamente, a partir de 11 de maio, a aplicação do imunizante, depois de recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma grávida de 35 anos, moradora do Rio de Janeiro, morreu por acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC), após tomar a primeira dose da Astrazeneca. O feto de 23 semanas também não resistiu. A pasta frisa, contudo, que a morte está em investigação e ainda não é possível comprovar a relação entre a vacinação e o óbito.

Na data, a pasta também restringiu a vacinação somente a grávidas e puérperas com comorbidades. Só os imunizantes da Pfizer (nas capitais, por causa da necessidade de resfriamento a temperaturas muito baixas) e CoronaVac, da Sinovac Biotech e do instituto Butantan, estavam permitidos, já que não utilizam a tecnologia do vetor viral não replicante. Com a mudança, estados e municípios precisaram alterar os calendários de imunização.

Já as que ainda não foram imunizadas e integram grupos prioritários, como profissionais da saúde, devem buscar avaliação médica antes de receber a vacina. As decisões são temporárias e valem até a investigação da morte da gestante ser concluída.

Segundo o Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19), realizado pela Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a média semanal de mortes de gestantes e mulheres no pós-parto triplicou em 2021 se comparado a 2020. Durante 16 semanas epidemiológicas, foram 494 óbitos no total, numa média semanal de 30,88, ante 10,16 em 2020.

O Globo

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