“IMUNIDADE DE REBANHO PODE SER PERIGOSO”, DIZ SECRETÁRIA DA SAÚDE À CPI

Foto: Sérgio Lima

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, disse nesta 3ª feira (25.mai.2021) à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado que a tese da imunidade de rebanho é perigosa, quando aplicada a grandes populações. Ela defendeu o uso de máscaras, distanciamento social, vacina e medicamentos que possam tratar a doença. Seu depoimento já dura quase 6 horas.

“A política de induzir imunidade através do efeito rebanho é extremamente perigosa. Para grandes populações, você não sabe quantas pessoas vão precisar ser submetidas a esse tipo de teoria e ela pode induzir óbitos. Então, eu não concordo com isso de forma generalizada. Em pequenos grupos populacionais, isso pode ser usado”, disse.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionou se a secretária concordava com declarações de pessoas que se recuperaram da covid-19 e que, por isso, tiveram “o melhor tipo de vacina”. Em resposta, Pinheiro disse que há duas formas de desenvolver a imunidade de rebanho.

“A doença em si confere imunidade e a vacina confere imunidade em escala. A gente não precisa esperar que muitas pessoas adquiram a infecção para elas terem a imunidade. Mas se a gente se dispuser de uma vacina a gente vai ter uma imunização mais rápida. Agora: no contexto atual, a doença confere uma imunidade mais eficaz do que a vacina que estamos utilizando”, disse.

Ela, no entanto, defendeu a vacinação nesse contexto, mesmo daqueles que já foram contaminados pelo coronavírus porque “há muitas variantes e incertezas em jogo”. Pinheiro disse que não recebeu a vacina ainda, porque, no dia em que seria a sua vez, ela foi diagnosticada com covid-19. Por ser médica, ela já poderia ter se vacinado.

No depoimento, manteve a orientação de uso da cloroquina para a fase inicial da covid-19 como parte do esforço que deve ser depreendido para combater a crise sanitária e disse que a pasta orientou doses seguras para uso do medicamento, que não tem eficácia comprovada para a covid-19.

Pinheiro disse não falar ainda de “nível máximo de evidência” porque não se tem esses dados nem para os tratamentos antivirais e que, por isso, é preciso discutir várias frentes de tratamento. “O que eu trouxe aqui para vocês são todos os trabalhos publicados até hoje”, disse. Ela afirmou ainda saber que a cloroquina “não cura” a covid-19, mas ajuda a evitar internações.

A secretária afirmou que o medicamento foi distribuído pela pasta a pedido de Estados e municípios. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello também tinha dado essa informação à comissão.

À imprensa, fora da comissão, o senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que foi montado um “ministério de mentirosos“ na Saúde e disse que a recomendação indiscriminada de medicamentos que podem causar reações adversas é “falta de responsabilidade“.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE), da base governista, rebateu as críticas de alguns colegas sobre a adoção da cloroquina e disse que muitos congressistas tomaram o medicamento e alguns mantiveram o uso em segredo.

Poder360

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