PANDEMIA DE COVID-19 ‘ESTÁ LONGE DE ACABAR’, DIZ DIRETOR-GERAL DA OMS

Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) – Foto:Denis Balibouse/Reuters

Tedros não demonstra otimismo com aumento da imunidade em consequência do maior número de infectados; para a organização, somente quando vacinação aumentar globalmente se poderão impedir novas variantes

 A pandemia de coronavírus “está longe de acabar”, alertou nesta terça-feira o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), que também descartou categoricamente a ideia de que a variante Ômicron, que se espalha rapidamente pelo mundo, seja benigna.

—Não se enganem, a Ômicron causa hospitalizações e mortes, e mesmo os casos menos graves sobrecarregam as instituições de saúde — disse Tedros Adhanom em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça. — Esta pandemia está longe de terminar, e dado o incrível crescimento da Ômicron em todo o mundo, é provável que surjam novas variantes.

Em 11 de janeiro, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) afirmou que, embora a doença ainda esteja em fase de pandemia, a disseminação da variante Ômicron transformará a Covid-19 em uma doença endêmica com a qual a Humanidade pode aprender a lidar.

— À medida que a imunidade aumenta na população, e com a Ômicron, haverá muita imunidade natural além da vacinação, avançaremos rapidamente para um cenário mais próximo da endemicidade — disse Marco Cavaleri, chefe da estratégia de vacinas da EMA, com sede em Amsterdã.

Na Suíça, o ministro da Saúde, Alain Berset, também afirmou na semana passada que a variante Ômicron poderia ser “o começo do fim” da pandemia.

Mas o chefe da OMS foi muito mais cauteloso e ressaltou de novo que a variante Ômicron não é benigna.

— Em alguns países, os casos de Covid parecem ter atingido o pico, dando esperança de que o pior desta última onda já passou, mas nenhum país está fora de perigo ainda — disse Tedros.

O diretor-geral da OMS expressou particular preocupação com o fato de que muitos países têm baixos índices de vacinação contra a Covid:

— As pessoas correm mais risco de sofrer de formas graves da doença ou de morrer se não forem vacinadas — disse Tedros. — A Ômicron pode ser menos grave em média, mas a narrativa de que é uma doença leve é enganosa, prejudica a resposta geral de saúde e custa mais vidas.

Frente aos desafios, os principais especialistas em Saúde Pública do mundo afirmaram que a expansão da vacinação em regiões onde os índices permanecem baixos é a melhor estratégia para conter a pandemia.

Falando sobre lacunas da vacinação global na conferência virtual da Agenda de Davos do Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira, o diretor de emergências da OMS, Mike Ryan, disse que mais da metade da população mundial recebeu as duas doses da vacina contra a Covid-19, mas apenas 7% da população da África vacinaram-se com duas doses.

— O problema é que estamos deixando para trás grandes áreas do mundo… Mas as vacinas são absolutamente essenciais. No momento, não há como sair da pandemia sem que as vacinas sejam o pilar estratégico central — disse Ryan.

A descoberta da variante Ômicron na África do Sul, no fim de novembro, levou cientistas a afirmarem que baixas taxas de vacinação podem favorecer mutações virais imunes às vacinas existentes, que então podem se espalhar para países onde as taxas de inoculação são muito mais altas.

 O Globo

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